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Microcrdito quer captar com taxa de mercado

Em meio escassez de recursos pblicos, as sociedades de microcrdito buscam caminhar com as prprias pernas, deixando para trs a imagem de um setor movido a recurso subsidiado. Para isso, a associao que rene as instituies privadas no ligadas a bancos autorizadas a oferecer exclusivamente crdito ao microempreendedor busca ampliar o acesso a funding por caminhos diferenciados.

Na linha de frente, h um esforo para obter autorizao para emisso de letras de cmbio ttulo de captao tpico das financeiras. O foco so investidores qualificados. A solicitao foi feita no fim do ano passado e aguarda posio do Banco Central. A regra atual no autoriza essas sociedades a captar recursos diretamente no mercado. Esse tipo de empresa tambm no pode oferecer poupana, aceitar depsito ou emitir letra financeira como faz uma financeira ou um banco comum.

Um segundo pleito inclui o fornecimento de servios, como seguros, assistncia financeira e at cartes. Queremos que o Banco Central entenda que podemos levar um servio de valor agregado alto. Como se fosse um private banking s avessas para esse pblico, diz Ricardo Assaf, presidente da Associao Brasileira das Sociedades de Microcrdito (ABSCM). Ele ressalta que o foco so micro e pequenos empreendedores das mais diversas regies, muitos deles desbancarizados.

Enquanto o posicionamento oficial sobre a emisso de ttulos e o fornecimento de servios no vem, a associao se movimenta em outra frente: a construo de um fundo de direitos creditrios nico, de R$ 60 milhes, que funcionaria como fonte de funding conjunta para todas as associadas. A expectativa captar R$ 30 milhes de investidores estratgicos (como bancos de fomento internacionais e o prprio BNDES), e ir a mercado para captar o restante.

No primeiro ano aps a criao do fundo, a meta aumentar em pelo menos de 20% a base atual de 130 mil clientes distribudos entre 27 associadas espalhadas por 12 Estados. Hoje, a carteira de crdito da associao superior a R$ 200 milhes. O valor dos emprstimos fica entre R$ 2 mil e R$ 15 mil e a inadimplncia da carteira vai de 4% a 6%, com taxas de juro variando de 3,5% a 5% ao ms, em mdia.

Funding para emprestar o grande gargalo da indstria de microcrdito, diz Assaf. Segundo ele, o microcrdito sempre foi pautado por subsdios no Brasil, o que v como algo negativo. O governo estragou esse mercado porque injetou dinheiro em instituies pblicas que fizeram quase que doaes aos tomares de crdito. Isso atrapalhou a tentativa de profissionalizao do segmento. Fica difcil para instituies privadas competirem de igual para igual.

Ele cita como exemplo a competio das sociedades de microcrdito com os bancos estaduais. No Nordeste, um banco ligado ao governo oferece taxas de 1% ou 2% ao ms. dinheiro subsidiado, no tem como competir. E isso acaba esmagando o setor [ou seja, as empresas que concedem o crdito].

Diante dos problemas de caixa dos governos federal e estaduais, diz Assaf, a associao quer tomar a frente do movimento de profissionalizao. Isso no significa abrir mo de parcerias com bancos de fomento. A associao vinha de conversas adiantadas sobre o fundo de recebveis conjunto com o BNDES. Com a mudana de governo, diz Assaf, a negociao voltou estaca zero e a sada foi procurar outros investidores, tambm interessados no impacto social do fundo, como o Corporao Andina de Fomento (CAF) e o IFC, ligado ao Banco Mundial.

A ideia agora atualizar o plano de negcios e comear a captao. Com a possibilidade de usar o fundo de aval do Senai para garantir as operaes do FIDC.

Assaf explica que muitas das 27 associadas espalhadas pelo pas tm seus prprios fundos de recebveis, mas com a elevao do custo e do nvel de regulao, a ideia do fundo nico ganhou fora. Com isso, ganhamos volume e notoriedade e fica mais simples atrair o investidor, diz ele, que tambm est frente da Empresta Capital, sociedade de microcrdito baseada em So Paulo com um fundo o Microfinanas FIDC -, com patrimnio de R$ 40 milhes e 10 mil clientes.

As operaes de emprstimos feitos aos microempreendedores so empacotadas e vendidas para o fundo, que remunera as empresas de microcrdito. Segundo Assaf, uma soluo de mercado para fazer captao. Ele lembra que, por toda a Amrica Latina, a concesso do microcrdito concentrada na iniciativa privada, em parceria com governos, o que lhe parece um modelo mais adequado.

Fonte: Valor Econmico

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