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Fintechs: ameaa ou oportunidade para modernizar o sistema financeiro tradicional?

Nas conversas e bastidores do mercado financeiro muito se escuta falar sobre as fintechs, expresso derivada da fuso de duas palavras em ingls financial e technology, as startups que podem criar um grande desafio para o setor bancrio. A principal questo o real impacto que podem representar para as instituies financeiras, conservadoras por natureza, e seus modelos de negcios e o respectivo impacto ao consumidor.

Atualmente, o Brasil tem 250 fintechs em operao, e metade delas j fatura acima de R$ 1 milho, de acordo com o relatrio do FintechLab o maior hub de conexo e fomento do ecossistema das startups de tecnologia financeira com abrangncia nacional. Acabaram de lanar o Report 2017, uma espcie de radar que monitora o mercado.

O levantamento apontou 247 iniciativas distribudas nas categorias de Pagamentos, representando (32%), Gesto Financeira (18%), Emprstimos (13%), Investimentos (8%), Funding (7%), Seguros (6%), Negociao de Dvidas (5%), Cryptocurrencies e DLTs (5%), Cmbio (4%) e Multiservios (2%). O estudo revelou, ainda, que empresas de outros setores, como tecnologia, varejo e telecomunicao esto de olho nas oportunidades geradas por esse movimento.

Antes de fazer uma concluso precipitada, importante conhecer um pouco da histria dos bancos nacionais e sua relao com a tecnologia. Diferentemente da Europa em que as grandes empresas de Telecom ditavam as tendncias e investimentos em novos modelos e tecnologias, no Brasil, os grandes bancos sempre foram os precursores e grandes incentivadores do uso de novas tecnologias, principalmente no segmento de varejo.

conhecido por poucos que o primeiro grande banco no mundo a adotar a internet como forma de relacionamento com clientes de varejo foi um banco brasileiro, de grande repercusso no Pas.

Foi uma das primeiras empresas no Brasil a utilizar computadores para administrao dos negcios e um dos primeiros bancos da Amrica do Sul a automatizar as operaes. Em 1980, essa mesma instituio j detinha a liderana em tecnologia em seus processos, iniciando a revoluo tecnolgica no mercado financeiro, com a comunicao de dados via satlite, alm de inaugurar o primeiro home banking, considerado na poca um servio indito de atendimento ao consumidor. No ano seguinte, lanado o sistema de uso de cartes magnticos para realizar operaes bancrias online.

Na viso das instituies financeiras, principalmente dos grandes bancos, no faltam motivos para entender o porqu da preocupao e investimentos. O tamanho quase continental do Brasil, a necessidade de atender pessoas em lugares remotos a um custo competitivo, o fato dos usurios brasileiros serem mais adaptados s novas tecnologias, inteligncia no controle de riscos, tanto nas operaes quanto nos processos, dentre outras inmeras razes, respaldam esse tema. Por estas e outras razes os bancos sempre foram os que mais investiram, e investem, em tecnologia.

Dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancria em 2015, realizada pela Deloitte, mostrou que, entre os Brics, o Brasil o pas que mais destina recursos em TI no setor bancrio. O valor direcionado pelos bancos , em geral, na ordem de R$ 20 bilhes, mdia registrada nos ltimos cinco anos. Ocupamos a stima posio entre as dez maiores economias que mais aporte faz em tecnologia, ao lado da Alemanha, Frana e ndia.

No passado, os gerentes e agncias tinham um grande impacto no relacionamento com o cliente final, basicamente uma relao pessoal que se estendia fora da agncia e permitia um entendimento profundo dos riscos. Hoje, esta relao no varejo praticamente anulada pelo uso de sistemas complexos nas agncias, que eliminaram as aladas e o poder de deciso dos gerentes e diretores. Mas, afinal, qual a relao disto com as fintechs?

O meio financeiro necessitava de plataformas tecnolgicas que, alm de inovar todo o processo burocrtico existente, sejam capazes de aproximar clientes e instituies em fraes de segundos. So startups de tecnologia disruptiva, ou seja, oferecem um modelo de negcio mais enxuto, acessvel, projetando uma margem de lucro maior, bem como conectam todo o mercado, dinamizando a oferta de servios financeiros. So geis e com grande liberdade e criatividade, geridas por jovens empreendedores que entenderam que o engessamento e a concentrao de capital so, na verdade, oportunidades.

Por outro lado, em sua maioria, as instituies financeiras concentram valiosas informaes de banco de dados comportamentais de seus clientes, especializao em nichos, tradio e renome no mercado, alm de uma capacidade de gerar, junto ao mercado, funding perene s operaes.

Por exemplo, as Sociedades de Microcrditos as SCMEPPs autorizadas e reguladas pelo BACEN, iniciaram o uso de tecnologias para tornar mais eficiente o acesso ao cliente final: na prtica as tecnologias atualmente usadas como tablet e mobile, algumas criadas por fintechs, visam no s baratear o custo de transao para o cliente final, como tambm criar experincias, linguagens simples e diretas a pblicos e nichos que, muitas vezes, so marginalizados no sistema financeiro tradicional.

Existe uma grande sinergia entre as fintechs e as Instituies Financeiras, independentemente do tamanho e segmento. A capacidade de inovao que elas tm, aliado ao conhecimento de mercado, tradio e a capacidade de funding das instituies financeiras, podem gerar um enorme ganho aos consumidores finais, no s em questes financeiras com produtos e solues mais simples e baratas -, como tambm desenvolver uma experincia mais agradvel, direta e eficiente de relacionamento.

Fonte: Ecommerce Brasil

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